Tinha algumas possibilidades: deixar cair pela janela em plena dimensão atmosférica e cair no chão? Quais seriam as consequências... eu não sei. Poderia ir em direção ao solo, mas sem deixar que realmente caísse espatifada e sim voltar ao céu... como se estivesse quase chegando ao chão e logo em seguida erguesse o vôo como uma ave gigante numa viagem interplanetária. Poderia cair no chão da quadra e fazer um gol. A piscina também acolheria minha queda, em suas água mornas que parecia me chamar direta e imediatamente pra dentro dela. Podia ao invés de tudo isso, ser atacada pelo cachorro, que parecia estar tranquilamente aconchegado na sala em cima do sofá, ele parecia muito dócil... mas algum motivo me levava a pensar tal hipótese. Estava nessa nêura, de imaginar como poderia morrer. Senti uma necessidade de escrever tudo aquilo, apesar de parecer estranho, praticamente surreal... quase que completamente bizarro.
A brisa batia como se estivesse molhando toda a superfície do meu rosto. Talvez o motivo que me fazia sentir toda aquela vontade de imaginar como iria morrer, era o fato de eu estar no ultimo andar, praticamente pendurada na janela. Me apoiava com força na rede, mas ao mesmo tempo sentia medo de que ela arrebentasse e eu caísse. Não que eu seja depressiva e suicída, mas era assim que me sentia, era o que parecia que iria acontecer... não estava com vontade de me matar, não. O cheiro do vento me trazia um cheiro antigo, de uma época em que eu nunca estive embora sempre quis estar, um cheiro misturado do mar, da areia, do sol e do céu. Qual lugar seria esse e a qual época estaria me remetendo? Seria melhor realmente escrever, mas persisto na ideia de que parece algo fora do normal. Não havia movimento nenhum. Era gelado. A dor de garganta me parecia fazer arranhar sangrar, assim como os erros de português, que me apavoram, saindo muitas vezes até da minha própria boca. Voltando... acho melhor ir embora, prometi aos meus amigos que iria voltar. Então resolvi: vou, mas volto.
Já estou me esquecendo de tudo... pense positivamente. Decida a hora que quiser parar de pensar essas babaquices e tente lembrar de tudo na hora de escrever. Passei pela porta da sala e encarei o cachorro novamente, confortada pela sua presença, sua fofura e seu pêlo de cor champagne... e ao mesmo tempo percebendo que ele tinha sede pela morte... pela minha morte especificamente. Cachorro louco... cachorro mais lindo.
Ao esperar o elevador, ouvi a música que tocava no apartamento ao lado. O barulho do elevador me assustava, afinal, estava no ultimo andar ao lado da casa de maquinas. Dentro do elevador estava pensando o que me faria realmente estar sentindo vontade de ir para casa? Estaria querendo escrever, do fundo da minha mente? Acho que não, afinal, iria esquecer tudo e foder todo o plano... ou poderia ser a fuga daquele lugar, que me provocava sensações horríveis... amargurada por um motivo que eu não sei... deixa ver no que vai dar e me direi a provável verdade. O elevador parou 3 andares abaixo, enquanto agora, pareço escrever como um robô... talvez um dos efeitos que provocou em mim. Entrou uma mulher amassada, pequenininha, troncuda... meio "atarracada"... e adivinha o que ela carregava no colo? Um cachorro. Não parecia estar com sede pela morte, mas sim por sexo... o mais selvagem coito. Mas que cachorro tarado! Por incrível que pareça, da mesma raça que a minha cadela. O cachorro cheirava em mim, e a mulher pequena também fungava... o que aconteceu comigo? Será que sabem o que eu tinha acabado de fazer? Será que eles perceberam? Assim como o cachorro talvez percebeia o cheiro de outros dois caninos? Não sei. Entrou outra mulher no elevador, acho que já havia visto aquela mulher outra vez na vida, talvez na padaria, não sei.
- Ta sentindo cheiro do que? fala que é da pipoca, ein?
- Acho que é que a Lilí ta no cio, então, ele fica louco. - a mulher também fungava.
Acho que o problema era eu, mesmo... afinal, quando uma menina estranha, nunca vista nesse bloco, com essa cara, esse jeito, esse olhar... iria passar despercebida? Quem é essa louca, afinal? Agora entrou um homem... parecia ser um funcionário... mas não era. Ele fungava muito também. Mas que cacete!!! Desse jeito, se alguém descobrir, eu vou ser presa.
E no exato momento em que escrevo, pareço realmente um robô enfurecido.
Passei pela garagem e entrei no elevador do meu bloco, vejo conhecidos passando, extremamente apressados. Tentava lembrar o começo de toda essa confusão, para poder escrevê-la. Cheguei em casa, vi a empregada arrumando as coisas e cantando uma música, que seria exatamente a mesma que tocava quando eu havia saído de casa.
Meu Deus, essas mulheres não se cansam!
"Agora se concentre. Tente eliminar o cheiro, de alguma forma... escreva isso rápido e desca, como você prometeu aos seus amigos." Passei um perfuminho, lavei as mãos e o rosto, pinguei um colírio nos olhos e já pensava novamente, que tinha que escrever tudo aquilo... apesar de que ninguém iria entender. Por que diabos eu queria escrever essa merda? O título, eu juro que tinha lembrado, mas já esqueci... talvez não teria colocado, falo isso porque sei que vou pôr. "O que vou comer agora? Deixa euver.... Bolo de laranja...três pedaços e já começo a escrever...estou fazendo muita sujeira, rasguei o saco do bolo! Foda-se, embrulho no papel alumínio e já era. Tenho que ir logo, mas talvez nem escreva... não vai dar tempo, mesmo...três bisnaginhas e pronto! Leite com Nescau ou suco... ou coca-cola? Ou café? Aaaah o café... café é sempre uma boa pedida!"
Chego no quarto e tento me recordar de tudo, desanimada por não lembrar absolutamente nada do que tinha acontecido. "Deu tudo errado. É melhor deixar sem título... que coisa escrota"... E agora estou escrevendo.
Estava pensando... se podia postar junto com a versão sem correção... afinal, escrevi muito rápido e não coloquei nenhum a virgula ou outra coisa, para que possam entender melhor o meu propósito... e o que havia acontecido. Agora acabou... porque foi aqui em que parei... e decidi que tinha que escolher uma hora em que deveria parar de pensar, para poder lembrar de tudo e escrever.
"Affe, que lixo".
Entenda como quiser. ou não.
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